sexta-feira, 7 de setembro de 2018

O POMBO POSSUÍDO



Estava eu andando tranquilamente na calçada do centro de São Paulo, mais precisamente na Praça da República, indo em direção ao metrô, até então tudo normal. Foi então que algo de estranho, diria até mesmo, espantoso, horripilante me ocorreu. Era por volta das quatorze e quarenta, quando virei a esquina da Avenida São João com a rua Dom José de Barros. A rua estava pouco movimentada, talvez devido ao mau tempo que não é nenhuma novidade para uma cidade apelidada de Terra da Garoa, é meus amigos; assim é São Paulo, só quem conhece sabe, a gente sai cedo de casa como se estivesse no Alasca, todo encapuzado, touca na cabeça, luvas nas mãos, botas nos pés e para aquelas pessoas mais elegantes que apreciam a moda Parisiense e Italiana, cabe até um sobretudo e cachecol. Falha gravíssima para quem não resiste a moda do inverno e sucumbe ao charme dela.

Não é querendo esmorecer os amantes da estilosa vestimenta do inverno, mas o fato é que a gente sai de casa sob “um frio de rachar” e volta sob “um calor de fritar ovo no cocuruto” aí coitado de quem usou um vestuário de acordo com a temperatura matinal, a não ser que você tenha um guarda-roupa portátil. Eu tenho uma certa revolta contra esse tempo doido, até acho que o tempo sabendo disso, brinca comigo de propósito e ainda ri descaradamente na minha cara, porque  às vezes suspeito de chuva e pego meu guarda-chuva, entretanto, não cai uma só gota d'água! Se eu deixar de levar ou esquecer, ao chegar em casa estou todo ensopado, como um pombo em dia de chuva.

Bom, já falei demais de moda e frio, não é mesmo? Vamos ao pombo possuído, quase me esqueci dele, por causa desse assunto que “dá pano pra manga” como diria minha tia. Você já deve estar  até meio irritado com essa história doida e deve estar pensando. “Ah! Jesus isso já está dando nos nervos!” Enfim, não é mentira não, e nem estou ficando louco, se eu não tivesse visto com meus próprios olhos que Deus me deu, também não teria acreditado.

Achei estranho aquele pombo esquisito pousar justamente sobre uma pilha de vidros estilhaçados, bicando ferozmente como se estivesse engolindo os fragmentos, e fazia com tal agressividade como se estivesse faminto. Chequei mais de perto com um certo receio e o pombo não esboçou reação, continuou saboreando o vidro. Depois de um tempo, parou com suas bicadas fervorosas me encarou e arrulhou: “Grou, grou! gru, ru, gru ru! ru lu!” como se eu fosse uma ameaça, mas quem se sentiu ameaçado fui eu, ao vê-lo com aqueles olhos arredondados,  vermelhos e intimidadores, lançando aquele olhar de pombo maluco. Eu hein! Me afastei depressa. Me fiz uma pergunta cômica, hilária. Por que um pombo pousou  numa pilha de vidros estilhaçados para comer? Depois de pensar, pensar, rachar a cuca, queimar os neurônios, uma ideia se acendeu como uma lâmpada. Claro! Como eu não pensei nisso antes! Porque o vidro era temperado!

Autor: Jostly

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