terça-feira, 16 de dezembro de 2014

LEUCÊMICO


Sou leucêmico, não tenho vergonha de falar
Vivo à vida intensamente, cheia de emoções
Meu coração vive constantes palpitações
Vulnerável, amargurado, fico a me perguntar.

 Por que a vida me reservou esse sofrimento?
Essa vida de angústias sufocantes?
As incertezas me rodam sem precedentes
As expectativas, um pavoroso tormento.

 Pensamentos revoltosos tomam conta de mim
Por que não posso ser feliz como antigamente?
Queria viver feliz, cheio de sorrisos contentes
Sem mágoas, sem temor, como flores no jardim.

 As pessoas me olham, sentem dó de mim
Tento me agarrar a um fio de esperança
A vida é bela quero vivê-la sem temperança
Odeio o que elas pensam e que me olhem assim.

Sem consegui disfarçar o desespero, choro
Anseio pela minha vitória, rogo e clamo.
Só quero realizar meus singelos sonhos
Sem ter que viver com esse medo contínuo.

Vejo pessoas reclamarem de suas vidas
Sem terem de fato, motivos para reclamar
Isso me chateia, não quero acreditar
Que pessoas normais tenham a felicidade inibida.

 No leito as horas passam lentamente
O medo torna-se mais presente
No quarto vazio, bate a saudade no peito
Tento o domínio da mente, deitado no leito.

 Os dias passam e assim vou indo
Ansioso por meu quadro de melhora
Quero viver, não quero morrer agora!
Quero que o mundo me diga, seja bem-vindo!
Autor: Jostly

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