sábado, 16 de agosto de 2014

FRAGMENTOS DUM AMOR


Hoje ao amanhecer, abri a janela do meu quarto
Olhei o céu cheio de nuvens brancas entrelace
Lágrimas de sofrimento escorreram pela minha face
Cobrindo meus olhos como se fosse um manto.

 Lembrei-me de ti ao sentir a brisa do horizonte
Dentro de mim, tocava a melodia triste da dor
As nuvens me assistiam com sua calma e seu alvor,
Testemunhas das lágrimas que nos meus olhos fizeram nascente.

 Coração impulsionado pela influência que me invade
Fragmentos desse amor que ainda restam em mim
Ainda me pego a pensar no amor que dantes vivi
Fruto dum sentimento que se manifestou em mim.

A saudade aperfeiçoa a carência que sinto de ti
Quiseram os céus o ensejo desse puro sentimento
Agasalhou-se em meu coração, sufocando sem alento
Hoje fere por dentro, o amor que outrora me fez sorrir.

 Autor; Jostly

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O DESVENTURADO



 Foi por volta das três horas duma quente tarde de sábado, que Gino, um modesto rapaz atormentado pelo incômodo fantasma da solidão, sentou-se num pequeno banco da tranquila praça Vicecco Arlechio. Sentado ali sozinho silenciosamente, ele podia refletir sobre sua penosa vida de sucessivos insucessos e até mesmo chorar sua mágoa sem que ninguém o visse. Lastimou-se refletindo profundamente ao vê as pessoas passarem felizes e sorridentes, sentiu inveja por não ser feliz também. 

Pensava ele: “Quanta gente feliz, olha os casais em calorosos abraços beijando-se e sussurrando ao pé do ouvido um do outro fazem juras de amor,estão flutuantes de felicidade e distante de serem infelizes como eu”. Nele persistia um vazio desesperador, isso fazia com que o sorriso fosse escasso dos seus lábios, eram pouquíssimas vezes que alguém o encontrava com um simples riso estampado em seu rosto marcado pelos traços da tristeza. Nem se recordava mais de quando fora a última vez que havia esboçado um sorriso e agora vendo aqueles risos todos cheios de alegria que o cercavam, quis ri também. 


Certamente não era um prazeroso sorriso daqueles que brotam da alma, mas riu um riso sufocado pela angústia precedido de desolação, porque é essa a realidade que o persegue e antecede seus dias e noites. Aos poucos aprendeu a lidar com sua triste vida, essa impertinência tornava-se cada vez mais num mundo obscuro em seu dia a dia, ele que nada mais era que um simples rapaz comum. O infortúnio era tão imperecível que chegou a descartar a possibilidade de poder ser feliz um dia, isso lhe fervia a mente de tal forma que seus olhos lacrimejaram e sentiu a garganta seca de tanta angústia, lembrou-se então de sua infância, de como vivera feliz diariamente, risos de plena felicidade e agora ele mal conseguia esboçar um leve sorriso, só rira de verdade mesmo quando fora criança, por um momento desejou ser criança novamente nem que fosse apenas por um dia, reviver um só dia de sua infância valeria talvez por toda a sua adolescência, precisava de algo para fazer desvanecer de si todos esses pensamentos sombrios que já estavam debilitando seus sentidos, portanto, buscava algo que pudesse revigorá-los, reanimá-los. 


 Por fim, desviou o olhar bruscamente buscando o que nem ele mesmo sabia o quê, só queria algo que pudesse distraí-lo. Deparou-se com uma moça vindo em sua direção, conforme ela se aproximava, via-se nitidamente as curvas do seu belo corpo feminino, usava um traje um tanto ousado, short jeans azul bem curto e uma blusinha decotada branca dessas que permitem ver a linha dos seios, deixando a barriga e o umbigo totalmente expostos. Trazia consigo um peludo cãozinho preto acorrentado que ao passar por Gino abanou insistentemente a calda, cheirando-lhe os pés com tanto entusiasmo que parecia que ambos eram velhos amigos e que não se viam faz tempo e ao rever apressa-se para dar-lhe boas vindas. Com eles não era o caso, porque ambos jamais se viram antes e muito menos eram amigos. 


Aquele era um amigável cãozinho carinhoso que se apegou tão rapidamente como num passo de mágica e por mais que a moça o puxasse pela coleira para seguir viagem, o animalzinho parecia lutar contra sua dona para dirigir-se a Gino, este porém, permanecia estático admirando a beleza da jovem mulher sem dá muita à atenção ao pequeno animal que insistia em querer aproximar-se do rapaz. Ao vê-la ali tão perto de si, Gino disfarçou as lágrimas o mais que pôde e recuperou a voz que lhe havia faltado e olhando-a fixamente, fitou-a buscando encontrar os olhos, enfim os encontrou. Eles brilhavam intensamente, semelhante ao brilho de duas estrelas no céu, seus cabelos longos eram negros como a noite, ele notou que um fio de lágrimas escorria pelos cantos dos seus olhos molhando os traços do seu belo rosto feminino, ele então percebeu que por trás daquela beleza inconfundível ocultava-se bem lá no fundo um coração deprimido e amargurado, mas que era notável. 


 Cumprimentou-a com um “oi!” ela o correspondeu com um riso tímido desconsolado, sentiu vontade de perguntar para ela o porquê das lágrimas, mas achou melhor não. Permaneceram ali por um período, ele sentado e ela de pé segurando o cachorrinho pela corrente, conversando timidamente sem se encararem. Ele a convidou para que se sentasse junto de si no banco de madeira da pequena praça. Não se conteve de alegria ao vê-la ali sentada ao seu lado, era a primeira vez que aquilo acontecia com ele. Pensou consigo mesmo: “Formamos um belo casal”. Seu nome era Tâmara. Aos poucos foram se soltando e agora já estavam conversando sobre suas vidas pessoais, o que faziam coisas desse tipo. Coincidência ou não, mas o fato era que sofriam dos mesmos males, sofriam a falta de um grande amor em suas vidas.

 Gino e Tâmara não viram o decorrer das horas, ficaram ali conversando por um bom tempo, estavam tão empolgados com o encontro inesperado, que eles se esqueceram de tudo, estranhamente estavam felizes, nem se lembravam de quando fora a última vez que entraram nesse estado mágico de espirito, para ambos era muito bom pra ser verdade, pois, momentos como aquele eram muito raros. Após a duradoura conversa e as descobertas que tinham muitas coisas em comum, ficaram silenciosos olhando um para o outro fixamente nos olhos, imóveis, seus batimentos cardíacos quase foram ao limite de tão acelerados, ele a tocou pela primeira vez na mão, sentiu a maciez e o calor de sua pele, com a respiração ofegante e delirando em suspiros, felizes como dois anjos que acabaram de ganhar suas asas para sobrevoarem os céus, enlaçaram as mãos. 

Fez-se um longo silêncio, era o silêncio da paixão que pairava sobre eles suavizando-lhes a alma. Seus lábios agora trêmulos de desejo ansiavam o momento do beijo, um ímpeto incontrolável de se tocarem foi aumentando e aquele anseio antes do beijo os deixavam ainda com mais desejo, por fim, tocaram seus lábios bem levemente, depois com mais vigor. Neste momento, o cãozinho choramingou como quem aplaudindo a cena com o mesmo entusiasmo de uma plateia agitada ao ver seu ídolo apresentar-se no palco. Sem hesitar subiu no banco e deitou-se entre eles, estava maravilhado! Contemplava-os calmamente. O que Gino não imaginava era que aquela pequena criatura peluda fosse contribuir para trazer-lhe a felicidade que tanto sonhava. A vida às vezes nos prega cada peça e nesse teatro da vida é preciso só estar na hora certa e no momento certo para ser o protagonista principal desse filme que é a vida. Desde então eles foram felizes. A vida é assim, quando menos se espera ela nos torna ator principal de um filme de sucesso. E nesse longa-metragem nos traz a razão para vivê-la sem contestá-la.


Autor: jostly

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