sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A MÍSTICA SEXTA-FEIRA



  Há um dia na semana que as pessoas da classe trabalhadora anseiam por vir, esse dia é a sexta-feira, não que elas não gostem dos outros dias da semana. Por exemplo, uma segunda-feira maravilhosa para um trabalhador é certeza de que é data de pegar o suado salário ou para quem está desempregado há muito tempo e terá seu primeiro dia de trabalho, não vejo outro motivo para uma segunda-feira ser tão animadora! Isso se tratando de trabalho, lógico. Agora a sexta-feira é tudo de bom! É o dia da libertação da aba dos irritantes chefes que ficam cinco dias da semana em nosso encalço como pedra no sapato! Sai coisa ruim! Só sei que esse dia é lembrado com tanto entusiasmo, que só perde para um fato histórico que ocorreu no século XIX, quando no dia 13 de maio de 1888 a princesa Isabel assinou a lei Áurea que proclamou a abolição da escravatura no Brasil. Mas, já é passado vamos ao presente. 

 As pessoas ficam mais tolerantes diante do visível problema da superlotação no transporte público, se uma pisa no pé do outro ao pedir desculpas o que teve o pé pisado fala: "hoje é Sexta-feira, relaxa” com aquele sorrisão que vai de um canto a outro, vai você pisar no pé de alguém em um dia que não seja sexta-feira que você vai ouvi um sonoro esbravejo: ”Ai meu pé, seu filho da puta, viado! ”. As mulheres não reclamam que estão sendo encoxadas pelos aproveitadores da situação. Agora chegue perto de uma mulher de segunda a quinta dentro de um transporte público para você vê, se não ficar com uma costela quebrada de tanto levar cotoveladas é muita sorte. E assim na sexta tudo fica “Blue”. Fato que merece destaque mesmo é a displicência das pessoas com seus aparelhos de celulares. 

Quem nunca presenciou aquele ou aquela camarada que já está no ritmo da balada, sacar o celular do bolso, colocar aquela música alta “envolvente” porque envolve todo mundo que estar ao redor dele ou dela, o termo correto diria irritante, insuportável... Só quem não utiliza o transporte público é claro! A conversação é outro ponto importante. Tirando a música do camarada aí do lado e o aperto esmagador, não diria que está tudo bem, porque dizer isso dentro de um transporte público ou você é muito hipócrita ou é candidato à reeleição, senão há de concordar comigo. Com todos esses males aí acima, você deve estar pensando: ”Não pode ficar pior”. Enganou-se quem achou que a coisa não podia piorar, a coisa ainda piora sim meu caro. Há um ditado que diz: “Nada é tão ruim que não possa piorar” comprovei isso recentemente.

 De repente, o celular de alguém começa a tocar e a pessoa que atente dá o ar da graça, fala tão alto, que deixa a impressão que um dos dois é surdo! “Alô, é tu Zé? Fala cabra safado e aí como ta tu homi de Deus? ” Todo mundo volta o olhar para ele, exceto o maquinista que a meu ver foi o único no trem que não o ouviu. E ele desembesta a falar com aquele sotaque típico nordestino, nada contra meus conterrâneos, mas convenhamos soa engraçado fala a verdade: “oxente, tu não vai lá pra casa amanhã não, pra gente ‘cumé água’? "Comé água" para quem não sabe é o mesmo que "encher a cara" ou "entornar o caneco" por aí vai..."Vô passar agora no açougue para comprar o gato, tu que não vá viu para ver ”

Outro celular toca, o portador atende no mesmo tom de voz, desta vez, é um desses jovens que falam gíria paulistana: “E aí maluco, beleza”? Brown deixa te dá uma ideia, pô meu, cola lá pra nois ir naquela balada tio. Suave então, hoje eu vou causar, mano tem umas novinhas da hora, hoje vou chapar! O rolé na night vai ser milgrau! E mais um... E outro.... As vozes se misturam e a gente já não consegue decifrar mais nada e não vê a hora de chegar logo o momento de descer para acabar com esse tormento. Ô vida difícil é a vida da gente! Solta o grito de guerra que ficou entalado na garganta. Até que enfim hoje é sexta-feira!   

Autor: Jostly             



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